Só os Seres Supremos podem responder, rezei muito pra que ela ficasse mais tempo aqui, mas de uma forma não dolorosa. Tento me conformar.
Eu sei como todos sabem que a vida é difícil, que ninguém escapa dos problemas sejam eles pequenos ou grandes e que não há aparelho para medir a minha ou a sua dor.
Mas, infelizmente há alguns que visivelmente os problemas são maiores, assim foi o caso da minha mãe, não que o dela tenha sido o pior, mais foi um dos mais difíceis que já vi e/ou ouvi falar.
Minha mãe iria estudar (se tivesse conseguido, a vida seria outra), foi matriculada, frequentava a escola, e isso apesar da pobreza extrema de meus avós (meu avô era gari, varredor de ruas), mas o seu irmão mais velho José dos Reis, o Zelão, iria lhe proporcionar os estudos.
Porém, após algum tempo na escola, foi convidada a se retirar, pois foi acometida por uma patologia estranha, que até hoje não sei direito como é, ela tinha epilepsia, sofria com convulsões em qualquer lugar, seja na escola, na rua, em casa, etc.. Assim acabou o seu sonho de se formar, de ter uma profissão, época em que às opções eram restritas e, em especial às mulheres.
Não havendo mais o que ser feito com os conhecimentos precários da década de 30, ela seguiu sua vida e com o tempo e a grande fé da minha avó Maria Angélica Gomes, minha mãe se curou, casou, teve filhos, acreditou que seria feliz, e talvez até tenha sido, mas também sofreu muito e por praticamente a vida toda, que só em pensar me estremeço.
Desnecessário dizer que devo tudo o que sou e não sou a minha mãe, pois ela sempre me passou grandes valores, deixou a mim diversos legados que estarão comigo pra sempre, faz parte de mim. Cito alguns que não só pra mim, como pra todos são essenciais:
Nunca pare de estudar, de ler, de aprender, este é o único caminho para crescermos neste mundo. Ela me disse isso na minha infância, enquanto realizava comigo a tarefa de casa. Sim, apesar do seu pouco estudo, ela me acompanhava em todos os deveres da escola.
Outro legado que veio logo no início da minha adolescência, quando tinha 11 anos: Ela me levou ao trabalho dizendo que só com o nosso trabalho poderíamos conquistar e manter um lugar na sociedade. E que o melhor marido que uma mulher poderia ter é a sua profissão, o seu trabalho. Pura sabedoria de uma mulher semianalfabeta na década de 70.
Por isso e por muito mais que eu possa dizer, é que sou tão grata a minha mãe que impecavelmente soube ser também meu pai. E com toda delicadeza do mundo me fez tentar entender a vida.
____
Muito obrigada a todos que escreveram uma ou mais palavras quanto ao que escrevi sobre a minha mãe. Assim como também as que leram e “curtiram” e naquele momento se sentiram sem palavras para escrever alguma coisa, bem como a todos aqueles que apenas leram, refletiram e preferiram não se manifestar.
Sinto-me amparada, abraçada por todos vocês. E isso me faz muito bem, me dá forças para continuar a minha vida.
Vou pensar sempre nestas palavras, nesta energia emanada por todos vocês, principalmente nos meus momentos de fraqueza!
Mais uma vez, muito obrigada a todos!!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário